ESPECIAL JACKSON BARRETO – DE CARTEIRO A GOVERNADOR

Pelos próximos quatro anos o santa-rosense Jackson Barreto de Lima vai comandar os destinos dos sergipanos. Eleito chefe do Poder executivo estadual, o governador, que já exercia a função desde o falecimento do governador Marcelo Déda, em 2013, chega agora em 2015 ao ápice de sua vida política ao ser eleito em votação de primeiro turno com uma vantagem de mais de 122 mil votos a frente do seu concorrente.

Natural do município de Santa Rosa de Lima, a 32 km da capital, Jackson nasceu em 6 de maio de 1944, foi um dos 16 filhos (nove criados) de Etelvino Alves de Lima e Neuzice Barreto de Lima. Ainda criança, passou a viver em Aracaju. Na juventude, trabalhou nos Correios ao mesmo tempo em que cursava a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe.

“Eu não sou governador, eu estou governador. Nasci na periferia, numa família de uma mãe que teve 16 filhos, graças a Deus, criou nove, depois oito. Lutava muito porque a vida era difícil mesmo. Me honra muito ter sido um menino que chegava ao Palácio Olímpio Campos com a farda dos Correios, numa bicicleta. Encostava a bicicleta na parede do palácio, entrava e entregava os telegramas e cartas. A Casa Militar dava o recibo e este carteiro botava os recibos no bolso e ia prestar contas nos Correios. Depois, ia para a faculdade de Direito para ser doutor, porque esse era o sonho da família, de todos nós: crescer na vida. E foi essa a oportunidade que eu tive, de estudar, e que me deu a condição de estar hoje governador do estado, mas isso não mexeu na minha cabeça ao ponto de esquecer-me de minhas raízes, meus compromissos, nem minha história”.

O ingresso na política

Jovem ainda, Jackson entrou na política. Foi presidente do Diretório Acadêmico Silvio Romero e fundador do Diretório Central dos Estudantes da UFS, coordenando a sua primeira eleição em 1968. Nos anos de chumbo, enfrentou a Ditadura Militar como membro do velho Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1970 filiou-se ao MDB – Movimento Democrático Brasileiro, elegendo-se vereador em 1972. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual e, em 1978, alcançou o primeiro dos quatro mandatos de deputado federal.

Foi preso político em 1972 e 1976, alvo da conhecida Operação Cajueiro, julgado e absolvido em 1978. Atuou na Campanha Nacional pela Anistia, em 1979, e atuou diretamente nas campanhas pela eleição de Tancredo Neves e pela Constituinte. Esteve ao lado de Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Miguel Arraes entre tantos outros pela redemocratização e foi um dos líderes em Sergipe da campanha pelas Eleições Diretas em 1984. Conseguiu a reeleição para deputado federal em 1982 e em 1985 se tornou o primeiro prefeito eleito da capital sergipana após duas décadas de interventores indicados pelos governos autoritários.

“Quando fui prefeito de Aracaju, os meus adversários me chamavam de prefeito periférico, porque eu só cuidava da periferia. E eu dizia:  – Recurso público você não tem que gastá-los para fazer grandes obras onde moram os setores mais elitizados do estado. Basta que se faça o básico de um prefeito, que é manter a cidade, mas os investimentos, os recursos que você tiver, leve para a periferia porque é lá onde o povo está e que precisa desses investimentos para melhorar sua qualidade de vida. A minha visão foi sempre de trabalhar pelos bairros de Aracaju”.

Como prefeito, construiu 23 escolas zerando o déficit educacional em Aracaju. Também realizou obras de infraestrutura, como o revestimento de quase todos os canais então existentes, construção de creches, centros de saúde e áreas de lazer.  Deixou a prefeitura da capital após um controverso processo que o afastou da primeira gestão. Sem se deixar abater, candidatou-se a vereador da capital, sendo eleito o vereador mais votado da história de Aracaju, com mais de 23 mil votos. Ajudou a eleger uma bancada de sete vereadores. Depois de mais uma eleição marcante, volta à prefeitura em 1992.

Quase dois anos depois, disputou o governo do Estado e pela primeira vez um candidato da esquerda conseguiu a vitória no primeiro turno. Jackson ficou a poucos votos de chegar ao governo em 1994. Com o apoio e o poder de voto de Jackson em Aracaju, outros dois prefeitos se elegeram – Wellington Paixão em 1988 e João Augusto Gama da Silva em 1996. Disputou o Senado, sem sucesso, e voltou à Câmara Federal em 2003 e depois em 2007. Em 2010, Jackson deixou de disputar o Senado Federal para ser o vice na chapa encabeçada pelo governador Marcelo Déda na disputa da reeleição.

Atuação como vice-governador

O governador Marcelo Déda costumava dizer que governava Sergipe com quatro mãos, as suas e as de Jackson Barreto. Jackson assumiu a vice-governadoria em 2011, quando fortaleceu a aliança à frente do governo do Estado. Na vice-governadoria, Jackson cuidou da articulação política do governo ao lado do titular. Assumiu como governador interino por sete meses no período do tratamento de saúde do governador titular. Com o agravamento da doença e o falecimento de Déda, Jackson tornou-se governador de Sergipe por sucessão, e a partir de então deu continuidade às obras e inaugurações em todo o estado. Mas antes, ainda como vice-governador, Jackson Barreto foi bastante atuante representando o governo em inúmeras situações.

Primeiro governador do PMDB em Sergipe

No dia 5 de outubro de 2014, Jackson Barreto foi eleito governador de Sergipe com 537.793 votos. Uma diferença de 122 mil para o segundo colocado. Com um programa de Governo voltado para a inclusão social e desenvolvimento econômico, definido no slogan “Cuidar das pessoas e construir o futuro”, Jackson venceu em 69 municípios sergipanos. No próximo dia 1° de janeiro, Jackson Barreto inicia mais um capítulo na sua trajetória política e governará Sergipe até 2018, quando se aposentará.

O maior partido político brasileiro, e o mais antigo em atuação, faz história em Sergipe ao eleger o seu primeiro governador, um dos sete eleitos em todo o país. Aliás, o PMDB como força política saiu muito fortalecido das urnas. Foram eleitos 66 deputados federais pelo PMDB. O Partido conquistou a segunda maior bancada na Câmara Federal, o maior número de prefeitos, o maior número de vereadores e de deputados estaduais. Além de ter a vice-presidência da República.

“Eu tenho procurado fazer um trabalho em nosso estado para mostrar como o PMDB administra, para mostrar a competência de um grupo que sempre sonhou em administrar esse estado e fazer isso com a visão de um estado para todos. Na verdade o MDB/PMDB foi que construiu, botou a cara para reconstruir a democracia neste país. Pagou um preço alto, mas como diz o poeta: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E a gente repete: valeu! Se tivéssemos que fazer de novo, faríamos tudo novamente. Do trabalho aberto ao trabalho clandestino, porque nosso sonho o Brasil realizou e está vivenciando: a democracia”. Jackson Barreto.

Da assessoria