População reconhece a importância do teste para HIV, mas ainda não o faz

Joselita e Isidório estão casados há 33 anos e vão fazer teste para o HIV pela 1ª vez (Foto: Marina Fontenele/G1)Joselita e Isidório estão casados há 33 anos e vão fazer teste para o HIV pela 1ª vez
(Foto: Marina Fontenele/G1)

O diagnóstico precoce ajuda a alcançar boa qualidade de vida aos portadores do HIV/Aids. O cuidado com a prevenção, o uso de preservativo em todas as relações sexuais e a realização de testes periódicos ajudam na luta contra a doença que ainda não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos. Falar sobre o assunto ainda é tabu para pessoas de várias gerações que ainda não têm conhecimento sobre as formas de transmissão e de tratamento.

Casados há 33 anos, Joselita de Santana e Isidório Justino dos Santos dizem que jamais fizeram o teste para verificar a presença do vírus HIV, mas reconhecem a importância de incluir mais este exame na rotina.

“Estamos juntos há muito tempo e nunca sentimos a necessidade de fazer o exame, mas vamos procurar fazer o teste do HIV porque a doença não escolhe idade e pode acontecer com qualquer pessoa. Já pensou não fazer esse teste e de repente descobrir a doença em estágio avançado? Melhor se antecipar então! Jovens, velhos, solteiros e casados têm que fazer”, destaca Joselita, de 66 anos.

Já Isidório, de 72 anos, deixa escapar que ainda sente dificuldade em entender as formas de transmissão. “Pega pelo ar? Pelo beijo?”, questiona. O Dia Mundial de Luta Contra a Aids, lembrado nesta segunda-feira  (1º) tem como objetivo reforçar o debate sobre o assunto.
Uma universitária de 26 anos, que preferiu não ser identificada, também nunca fez o teste do HIV. “Só tive um homem, meu namorado por cinco anos, como era um relacionamento fixo nunca pensei no exame”.

Jovem diz que descobriu ser mais forte depois depois do HIV/Aids e luta contra o preconceito (Foto: Marina Fontenele/G1)Jovem diz que descobriu ser mais forte depois depois do HIV/Aids e luta contra o preconceito
(Foto: Marina Fontenele/G1)

Aumento nos casos
A Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe (SES) contabiliza que 326 novos casos foram descobertos este ano no estado, sendo a maioria no público com idade entre 20 e 49 anos. De acordo com o órgão, no período entre 1987 e 2014 foram registrados 3.831 casos de HIV, com 1.135 mortes. Nestas, estão inclusas 98 crianças soropositivas e morte de 22 delas.

O gerente do núcleo de DST/Aids de Sergipe, José Almir Santana, destaca o crescimento no número de casos identificados no estado. “Em 2012 foram confirmados 254 diagnósticos positivos, em 2013 foram 317 e até novembro deste ano esse dado chega a 326. São dois fatores que alavancam esses números: o fato de os testes estarem mais acessíveis e que muita gente ainda não quer usar o preservativo”, afirma. As cidades com maior índice da doença são: Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Itabaiana, Estância, São Cristóvão e Lagarto.

O uso da camisinha nas relações sexuais é a forma mais eficaz de prevenção, além disso, todas as seringas e agulhas devem ser descartáveis. A transmissão depende do contato com as mucosas ou com alguma área ferida do corpo. Não há risco de infecção por suor, beijo, alicates de unha, lâminas de barbear, uso de banheiros públicos, picadas de mosquitos ou qualquer outro meio que não envolva penetração sexual desprotegida, uso de agulhas ou produtos sanguíneos infectados.

Há ainda a possibilidade da transmissão vertical, ou seja, da mãe infectada para o feto durante a gestação e o parto (AIDS congênita). Se o vírus for identificado na mãe o tratamento deve ser iniciado imediatamente, pois é possível dar à luz a um bebê saudável.

Novos desafios
Para um jovem de 24 anos, estudante de psicologia, o diagnóstico na fase inicial veio com alguns sintomas, mas nem sempre a doença se manifesta claramente e pode ser confundida com virose ou um mal estar passageiro.  Entre duas e quatro semanas após a pessoa contrais o vírus ela pode apresentar febre, manchas na pele, calafrios, ínguas, dores de cabeça, de garganta e dores musculares, que surgem de 2 a 4 semanas após a pessoa contrair o vírus. Nas fases mais avançadas, é comum o aparecimento de doenças oportunistas como tuberculose, pneumonia, meningite, toxoplasmose, candidíase, etc.

“Inicialmente tive um susto porque vem logo aquele pensamento de que a vida acabou e que a gente vai morrer cedo. Nunca pensei que pudesse acontecer comigo. Há um ano comecei a estudar o assunto e me descobri mais forte. Depois do susto recebi o apoio da minha família, talvez por eu ter tido um tio também soropositivo tenha sido menos complicado para mim. Outra coisa que as pessoas precisam saber é que quem está em tratamento tem baixo índice de retransmissão”, comenta o rapaz.

Segundo o futuro psicólogo viver com o HIV/Aids é muito mais que portar um vírus, é uma questão social.  “Ainda existe o preconceito e a ideia de que somente quem se relaciona com pessoas do mesmo sexo ou quem tem vários parceiros ao longo da vida pode ser contaminado, mas esse mito já não existe porque pessoas que têm relacionamentos duradouros podem sim ter contato com a doença, por isso recomendo que todos se previnam e façam os exames específicos com regularidade”, destaca.

Para uma funcionária pública de 52 anos a orientação sobre a sexualidade deve partir do diálogo entre pais e filhos. “Meu filho tem 25 anos e é muito namorador. Converso com ele sobre tudo e sempre disponibilizo preservativos”, finaliza.