Ligações clandestinas de energia provocam prejuízo no Nordeste

Furto de energia chega a 31% da carga destinada ao estado do Piauí.

Em Pernambuco, equivale ao consumo mensal dos habitantes de Recife

No Nordeste, o número de ligações clandestinas, também chamadas de “gato”, provocam prejuízos milionários, não só para as empresas, mas também para a população – que acaba pagando essa conta.  Em um bairro da periferia de Teresina, os fios se amontoam nos postes. O furto de energia no Piauí, de acordo com a associação do setor,  chega a 31% de toda carga destinada ao estado, que deixa de arrecadar R$ 120 milhões por ano em impostos. O prejuízo também chegou aos consumidores, pois a rede elétrica não suporta a sobrecarga. “Se você for fazer uma reportagem na casa de qualquer um, quase todo mundo queimou seus eletrodomésticos”, afirma uma moradora.

Em Pernambuco, a energia furtada, pelos cálculos da empresa distribuidora, equivale ao consumo mensal do Recife e seus 1,5 milhão de habitantes. Para combater as ligações clandestinas, a concessionária de energia põe nas ruas, todos os dias, um batalhão de técnicos. Só este ano, 10 mil famílias foram legalizadas e se transformaram em clientes que pagam pelo que consomem.

A equipe de reportagem acompanhou o trabalho de uma das equipes de inspeção. Em uma área na Zona Sul do Recife, o roubo de energia ocorre sem nenhum disfarce. Em pouco tempo, os técnicos encontraram quatro postes com várias ligações clandestinas. A precariedade das ligações expõe o risco para quem passa pelo local. Os fios que se espalham pelo chão iluminam algumas barracas.”O furto, além de causar perigo para quem faz a ligação clandestina, também envolve uma questão de segurança também para a comunidade”, avalia Saulo Cabral, superintendente de operações da Companhia Energética/PE.

O furto de energia é crime previsto em lei. A pena vai de um a quatro anos de prisão e é também um prejuízo para quem paga a conta em dia. “Todas as vezes que a Aneel vai fazer o cálculo de uma revisão, do reajuste tarifário , leva em consideração as perdas existentes naquela região, e parte dessas perdas são incorporadas à tarifa de energia”, complementa Saulo Cabral, representante da companhia de fornecimento de energia elétrica.