Ondas de calor devem se tornar mais intensas em Sergipe, diz IPCC

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As ondas de calor no sertão sergipano deverão se tornar mais intensas nas próximas décadas, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão estabelecido pela ONU. A Presidente do Painel, Rajandra Kumar Pachauri, declarou que é alta a probabilidade de aumento na duração, frequência e intensidade das ondas de calor nas Américas Central e do Sul, em especial em regiões que já sofrem com a estiagem, como o Sertão de Sergipe.

“A variabilidade climática e os eventos extremos estão afetando grandes setores da população e os mais carentes e vulneráveis sofrem mais”, disse a pesquisadora. A alteração pode impactar na economia, acessibilidade alimentar e políticas de redução da pobreza.

Neste cenário, uma das principais alternativas de convivência com a seca são as cisternas de polietileno. Em Sergipe, foram mais de 4 mil cisternas distribuídas em 20 municípios, beneficiando mais de 20 mil moradores. As cisternas têm capacidade de armazenar 16 mil litros, o suficiente para abastecer uma família de 4 a 5 pessoas até nove meses de estiagem, considerando o consumo básico de beber, cozinhar e fazer higiene de crianças.

No município de Propriá, distante 101 km de Aracaju, seu Antônio dos Santos, de 70 anos, foi um dos beneficiados com os reservatórios no Sítio Cágado. “Essa água é a riqueza da gente. Eu tenho o maior cuidado com ela, por que lembro como era o sofrimento carregando água pra dentro de casa”, disse ele. O vizinho, seu Manoel dos Santos, 76, apesar da saúde fragilizada, dividiu a felicidade de ter água. “A pouca chuva que deu já foi suficiente pra encher a cisterna, graças a Deus. Eu fico imaginando o que seria de mim se não fosse essa cisterna, por que não posso carregar peso e sem ela eu não teria água, nem pra beber”, lembra seu Manoel.

De acordo com a Acqualimp, uma das fornecedoras das cisternas de polietileno no País, o material utilizado na fabricação dos equipamentos é adequado à região. “A resina de polietileno somente pode fundir a uma temperatura de 147º C, sendo que na região a temperatura máxima pode oscilar em torno de 50 º C em períodos de clima mais severo. As características do material utilizado na fabricação desmistificam a informação incorreta de que os reservatórios derretem no calor do sertão”, explicou Amauri Ramos, diretor da companhia.

Do G1 SE