(paixão ) Muher dedica sua vida para cuidar de 70 cães e 30 gatos

A paixão de Dona Finha começou há mais de vinte anos, com apenas quatro cães que ela adotou quando ainda morava na cidade.

Quem passa pela Fazenda Nossa Senhora de Aparecida, aos pés da Serra da Picada, na zona rural de Lagarto, nem imagina a turma animada que habita naquele rancho. É o que podemos chamar de um santuário de cães e gatos abandonados. O anjo protetor chama-se Josefa Pereira Santos de Jesus, ou Dona Finha, como é conhecida. Uma lavradora de 54 anos que deixou a cidade há 15 para se dedicar na lida com o campo e especialmente com esses animais. A paixão de Dona Finha começou há mais de vinte anos, com apenas quatro cães que ela adotou quando ainda morava na cidade. De lá pra cá a quantidade foi aumentando e já beirou perto de 100 animais, hoje são 70 cães e 30 gatos de várias raças.

Para encarar aquela rapaziada todos os dias ela conta com o apoio e ajuda do marido Paulo. O casal tem filhos que nutrem o mesmo amor e carinho pelos animais. Mas estes residem fora e lhe visitam mensalmente. Ela tem o respeito da família, mas, como não poderia ser diferente, lamenta que muitas pessoas, sobretudo amigos e alguns parentes, nunca compreenderam essa sua dedicação pelos animais.

“Acham que eu sou louca”, confessa com bom humor. “Eu até já me acostumei com esse ponto de vista. Mas nem sempre a gente suporta as críticas e, às vezes, tenho que deixar a tolerância de lado e dar uma resposta ríspida, porque não sou louca, não preciso de conselho e da opinião de gente que não tem senso de solidariedade. Cada um faz da sua vida o que bem quer. Tenho consciência de que pratico o bem para com estas criaturas que um dia foram queridos e depois excluídos. Além do mais, estou aqui no meu canto, isolada do centro, sem vizinhos que eu pudesse vir a incomodar com o barulho. Ou com um dos meus bichanos que invadissem a cozinha deles pra roubar um pedaço de carne ou matar um passarinho de estimação. Isso é uma opção de vida”, assim definiu Dona Josefa.

A renda de dona Josefa somada à do marido é sempre no limite, tanto para as necessidades básicas quanto para cuidar de todos esses bichos. Nem por isso teve que pedir a ajuda de ninguém. “Para que? Para depois insinuarem que eu abracei uma causa sem a menor condição material ou psicológica. O pessoal da SOS Animais depois que descobriu minha luta com minhas ´crianças´ tem me visitado periodicamente há cerca de um ano. Sou muito grata a eles e a quem se sensibilizar e me visitar de livre e espontânea vontade”.

Sonhos

O maior anseio de Dona Finha para esta família que não para de crescer é justamente organizar o espaço físico que é improvisado nos antigos galinheiros da fazenda. É mais que urgente a construção de um canil com baias individuais para cada cão e um pátio cercado para que eles fiquem soltos durante o dia. Só os mais antigos é que circulam pela propriedade. Brigas são inevitáveis. Na tentativa de separar um “parapapá” ela chegou a ser mordida uma única vez por um deles. “O menor, que pensou estar mordendo o maior, ao perceber que estava abocanhando a minha mão, soltou imediatamente. Mas são todos extremamente dóceis conosco. E esse negócio de ´igual à cão e gato´ por aqui não existe, não”.

Momento de amizade inusitada registrado por Jéssica Saraiva

Como eles chegam?

“De todas as formas, eu mesma já recolhi muitos nas ruas, outros foram trazidos por pessoas desconhecidas que não queriam abandoná-los em qualquer lugar. Dentre estas situações de chegada, tem um caso especial que é o do Beethoven. Este cachorro que é cego dos dois olhos chegou aqui sozinho. Na noite anterior eu havia sonhado com um cachorro cruzando o riacho que passa próximo a propriedade e no da seguinte avistei aquele cachorrão na porteira como quem batia na porta à procura de um abrigo”. Ela se refere no aumentativo, pois Beethoven é de uma raça mestiça com São Bernardo. “Descobrimos que ele pertencia a uma pessoa da região, e que havia fugido da coleira, fomos devolver, mas o dono ao saber onde e como ele estava, preferiu que ele ficasse comigo e com os novos amigos, lá ele era solitário”.

No início, a família aumentava porque os animais naturalmente se reproduzem entre si. Sem condições de pagar pela castração o jeito é a separação dos machos e das fêmeas. Na necessidade de soltá-los é somente por grupos do mesmo sexo. Dona Finha, além da alimentação, zela tanto pela limpeza dos ambientes, quanto pela higiene, e saúde dos seus bichos. Nas campanhas de vacinação antirrábica o pessoal do centro de zoonoses é quem vem até aqui e aí todos são vacinados.

“A gente percebe a nossa falta de estrutura quando eles precisam de um atendimento médico. Há uma semana dois deles precisaram de cirurgia e vocês sabem que é um procedimento caro, fora os medicamentos. É nessa hora que a gente cai na real. Mas não desisto e corro atrás dos meus recursos para não deixá-los sem assistência. Aqui só se morre de velho, porque de fome ou de descuido, jamais permitirei. Às vezes deixo de comprar um remédio para meu uso contínuo para comprar para eles. Mas os filhos logicamente se preocupam e alertam que eu não posso adoecer senão os animas vão ficar sem a mãe deles para cuidar”. Ração segundo ela é luxo. Sempre limitada, é destinada para poucos, a comida oferecida é improvisada, as papas à base farinha de milho, farelo e pão dormido que ela adquire das padarias.

Dona Josefa, teve que abrir mão dos prazeres de uma viagem de férias ou simples visita a parentes distantes. O que ela se permite no máximo é um dia inteiro fora para retornar no outro dia correndo. “O meu marido assume o comando, mas se for por mais de dois dias ele pode ter um troço. Por mais que ele goste, não tem a mesma paciência que eu. Aqui é de domingo a domingo”. É preciso avisar que ela não doa nem vende os filhotes. Teve ninhadas de cães de raça nobre como pastor belga, dálmata, pinscher, pit bull que ela poderia vender para levantar um trocado, mas no rancho eles nascem e vão ficando por ali mesmo, não admite que se separe a “grande família”.

A ajuda está em nossas mãos. A visita da reportagem junto com a Sociedade Lagartense de Amigos Protetores de Animais (SOS Animais) visa trazer a público o trabalho e dedicação de dona Finha para com os cães e gatos.

Colabore doando:

– Ração canina e felina, de qualquer tipo, em qualquer quantidade (inclusive farelo ou farinha de milho)
– Material de limpeza doméstica
– Material de higiene veterinária, p. ex.: xampu, sabonete, carrapaticidas etc
– Material de construção como telha de amianto ou telha de cerâmica, bloco, tijolos, cimento e areia

As doações podem ser deixadas nos seguintes pontos de apoio:

– Contel contabilidade: Rua Mizael Vieira, 181 (fundos da prefeitura), 1º andar
– Joanice Cabeleireira: Rua Mizael Vieira, 19, centro
– Daniel Designer: Rua Acrizio Garcêz, 154 (próximo à filarmônica).

Doação em dinheiro:

Depósito em conta corrente: Agência: 0645 (Caixa Econômica Federal). Conta: 003 1.720-7. Toda e qualquer colaboração será destinada exclusivamente para Dona Josefa. A entrega está programada para o próximo dia 7 de fevereiro com horário que será divulgado por este portal de notícias. A sociedade lagartense está desde já convidada a nos acompanhar nesta ação solidária.

fonte:Kiko Monteiro site lagartense.com