Poço Verde e Lagarto se destacam em índice do IOEB

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No geral Educação em Sergipe fica abaixo da média nacional. Índice de avaliação aponta para nota 4,2. No Brasil, a nota é de 5,3.

Com nota 4,3, Poço Verde é o município sergipano melhor colocado no Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (Ioeb), mas apenas na 3029ª posição nacional de um ranking de 5.254 cidades avaliadas. Na sequência por aqui aparecem Graccho Cardoso (3.327ª), Propriá (3357ª), Lagarto (3.428ª) e Telha (3.492ª). Estes quatros municípios somaram nota 4,1 cada. A lanterninha estadual está com Frei Paulo que tirou nota 3,1 e está 5.011ª posição no País.

Se numa disputa entre as capitais Aracaju figura como a sexta pior ou 22ª colocação, na comparação local a capital sergipana é apenas a 28ª colocada, com 3,8. O inusitado é que Aracaju tem desempenho superior à média estadual e nacional em quatro de cinco indicadores do índice de insumos, mas a queda acontece no índice resultados, quando fica abaixo da média estadual e nacional nos três indicadores.

Só para entender melhor, no Ideb (anos iniciais ajustados) Aracaju tirou nota 4,0, enquanto Sergipe 4,2 e o Brasil 5,3. Em anos finais ajustados, a capital tirou 2,8, o estado 3,0 e o país 4,3. Nota-se, porém, que o fator que puxou para baixo Aracaju foi mesmo a Taxa líquida de matrícula no ensino médio uma vez que tirou nota 4,5, Sergipe (5,0) e o Brasil (6,1).

Apesar dos dados delicados que a capital e os municípios de Sergipe apresentam, o lado positivo apontado pelo Ioeb é que os sergipanos têm melhores oportunidades de atendimento educacional com qualidade e melhores condições de se sair bem na escola que uma pessoa nascida em Conceição do Lago-Açu, no Maranhão, que tirou nota 2,1 e ficou na última posição no país.

Oportunidades

O Centro de Liderança Pública (CLP) lançou, recentemente, o Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (Ioeb) que aponta Sergipe como o sexto pior Estado para contribuir com o sucesso educacional de seus moradores, alcançando a nota 3,8 de uma avaliação que vai de zero a dez. A média nacional entre as federações foi de 4,5. O menor estado do país só ficou na frente do Pará, Maranhão, Bahia, Amapá e Alagoas. O topo foi atingido por São Paulo com 5,1.

Entre as capitais, Aracaju seguiu a mesma linha do estado e ocupa a sexta pior avaliação com 3,8. Belém, Salvador, Macapá, Maceió e Natal vêm em seguida com os piores índices. A melhor colocação é da capital paulista com 4,8. Só que entre os municípios, nenhum foi superior a Sobral, no Ceará, atingindo o IOBE de 6,1.

De acordo com os autores do estudo – Reynaldo Fernandes, ex-presidente do INEP, e Fabiana de Felício, ex-Diretora de Estudos Educacionais do INEP, ao capturar todo o ecossistema da educação básica, o IOEB considera todas as crianças em idade escolar dos municípios e estados, abordagem única entre os índices de educação. Até então, a percepção da qualidade da educação de determinado município era vista apenas com base nos resultados obtidos pelas provas nacionais. O problema é que tais resultados contemplam apenas o contingente de crianças que frequentam a escola, deixando de fora todo um grupo de crianças em idade escolar, mas que não estão na escola. Esse fator pode gerar distorções na percepção da real qualidade da educaçãooferecida pelos estados e municípios.

“Uma cidade com muitos alunos fora da escola, pode obter resultados em provas que vão além da real situação da educação oferecida. Uma nota boa, não necessariamente significa que o poder público esteja cumprindo com o seu dever de oferecer educação para todos os cidadãos em idade escolar”, explicam os autores, através do site do Ioeb.

Os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE) mostram que no Brasil 15,67% das crianças entre 15 e 17 anos estão fora da escola e não há qualquer rede de ensino ou gestores públicos que respondam por esse contingente. Frente a esse cenário, um índice que inclua essa expressiva parcela da população é capaz de indicar as localidades que sofrem com alta evasão escolar e incentivar políticas colaborativas entre estado e município para reverter o cenário de abandono escolar.

Metodologia

O Ioeb engloba toda a educação básica da educação infantil ao ensino médio, de todas as redes existentes no local – rede estadual, municipal e privada, bem como todos os moradores locais em idade escolar e não apenas os que estão efetivamente na escola. O índice é formado a partir da relação de um conjunto de fatores e os respectivos pesos atribuídos a cada fator. Esses fatores dividem-se em dois grupos: insumos educacionais (Escolaridade dos professores; Número médio de horas aula/dia; Experiência dos diretores; Taxa de atendimento na educação infantil) e resultados educacionais (Ideb anos iniciais do ensino fundamental; Ideb anos finais do ensino fundamental; e Taxa Líquida de Matrícula do ensino médio).

O Centro de Liderança Pública (CLP) é apoiado pelo Instituto Península, a Fundação Roberto Marinho e a Fundação Lemann.