PRECISA-SE REPENSAR SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA EM SE

 

Antes das eleições, o Governo do Estado de Sergipe alardeava em toda a imprensa que em dezembro, chamaria mais 600 aprovados no concurso da PMSE.  Passada a eleição, a promessa até agora não foi cumprida.

Lamentavelmente a segurança pública do nosso Estado vai de mal a pior, não por culpa dos policiais militares e civis, mas principalmente, pela falta de efetivo nas duas corporações.  O que se vê são inúmeros homicídios, latrocínios, explosões de cash, assaltos, inclusive com reféns, etc.

No primeiro semestre deste ano, um oficial superior disse em uma entrevista a um site de notícias, de que seriam necessários de 8.000 a 9.000 policiais militares para se dar uma segurança digna à população sergipana.

Entretanto, o que se vê são policiais militares indo para reforma e cada vez mais o contingente diminuindo.  Na verdade os 600 PMs que serão efetivados nas fileiras da PMSE ainda este mês, não darão nem para “tapar o buraco do dente”.  Só para se ter uma ideia, as guarnições da Polícia Militar em todas as viaturas eram compostas por quatro policiais, depois passaram para três e hoje boa parte possui apenas dois PMs.

Enquanto em outros estados da federação os governos enviaram projetos para as assembleias legislativas aumentando o contingente de PMs nas corporações, aqui o governo fez o contrário, reduzindo o quantitativo, conforme aprovação feita na nossa assembleia legislativa.

Agora, pelo que se sabe através do assessor de comunicação do Governo do Estado, é que só serão chamados mais aprovados no concurso da PMSE, quando houver dinheiro em caixa, em face de uma suposta crise financeira.  Importante salientar, que muitos destes aprovados, informados que foram de que seriam convocados ainda este mês, se desfizeram dos seus empregos para se dedicarem ao curso de formação que achavam que iriam iniciar, bem como, tiveram despesas, antecipando seus exames médicos para admissão no referido curso.

É necessário que a grande maioria dos políticos do nosso país, bem como a sociedade, a quem cabe cobrar dos políticos, repensem sobre segurança pública urgentemente, pois a cada dia a sociedade está ainda mais refém da criminalidade.  Até mesmo os operadores da segurança pública também estão passando por essa situação, pois é grande o número de policiais mortos por bandidos em nosso país, mas, infelizmente, poucas pessoas atentam para este fato, preferindo fazer “vistas grossas”, principalmente, certos “organismos” de defesa dos direitos humanos, que muitas vezes defendem tanto os direitos humanos para os marginais, no entanto se esquecem dos direitos humanos dos policiais  e familiares vítimas da violência, e principalmente, dos direitos humanos do cidadão de bem.

A polícia sergipana, seja ela militar ou civil, é composta por policiais abnegados, que expõem suas vidas em risco diuturnamente em prol da sociedade, mas estes não podem fazer milagres, quando se tem um efetivo diminuto.

Portanto, sociedade sergipana, antes de cobrarmos dos nossos policiais, vamos cobrar dos nossos políticos uma política de segurança pública de qualidade e investimentos na área, porque se ficarmos passivos, seremos ainda mais reféns da marginalidade.

Artigo escrito pelo Dr. Márlio Damasceno

Assessor jurídico da AMESE