Sai Dilma, entra Temer: onde investir seu dinheiro? Especialistas respondem

 

Com a decisão do Senado, Dilma Roussef fica afastada do governo por até 180 dias, período em que Michel Temer assume a Presidência. Como fica o mercado financeiro? Onde é mais seguro investir nesse período?

O UOL ouviu três especialistas: José Cláudio Securato, economista e presidente da Saint Paul Escola de Negócios; Leandro Martins, estrategista da Rico Corretora, e Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Corretora.

A expectativa de aprovação do impeachment já fez a Bolsa subir e o dólar cair bastante nos últimos meses, segundo Cardoso. “Agora, o mercado precisa de algo novo, e esse algo novo podem ser medidas que sejam efetivamente tomadas, porque o país está parado.”

Martins tem opinião semelhante. “O mercado é guiado por expectativas. Agora o que será nosso combustível são os nomes da nova equipe econômica e dos ministérios.”

O afastamento da presidente Dilma é como se fosse o fim de um tsunami: no dia seguinte está tudo horrível, mas está todo mundo feliz porque pelo menos acabou. Mas tsunamis e terremotos podem voltar, pois a Lava Jato ainda deve trazer mais revelações.

José Cláudio Securato, economista

Onde investir?

O conselho dos especialistas para os investidores é manter a maior parte dos investimentos na renda fixa, preferencialmente em títulos do Tesouro Direto. Veja abaixo a análise para as principais aplicações.

Tesouro Direto

Alan Marques/Folhapress

Os títulos do governo foram a aplicação mais recomendada pelos três especialistas. Securato sugere investir nos títulos pós-fixados, que acompanham os juros (Selic). Martins e Cardoso sugerem o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+, indexado à inflação. Veja como investir: http://zip.net/bvthcx (link encurtado e seguro).

Fique atento ao vencimento do papel no caso do Tesouro IPCA+ e do Tesouro Prefixado. Quem tirar o dinheiro antes desse prazo pode perder rendimento por conta da marcação a mercado, que altera diariamente o preço do papel para baixo ou para cima.

O investimento paga Imposto de Renda de acordo com o período de aplicação:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

CDB

Thinkstock

O investidor deve aplicar em CDB se ele der um retorno de, no mínimo, 95% do CDI para um ano, diz Martins. Bancos menores pagam melhor; segundo Cardoso, é possível encontrar rentabilidades de até 120% do CDI. Porém, o risco é maior. Então, mantenha os investimentos dentro do limite de cobertura de R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Créditos (FGC, que devolve o dinheiro se o banco quebrar, dentro do limite de cobertura).

O CDB não tem taxa de administração, mas paga IR, conforme o período:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

Fundos de Renda Fixa

Shutterstock

É preciso tomar cuidado com as taxas. O desejável em fundos DI é que a taxa de administração não passe de 0,5% ao ano, segundo Securato. Se a taxa for maior que 0,5%, ele recomenda investir no Tesouro Direto. Os fundos não têm a cobertura do FGC.

Quanto mais tempo deixar o dinheiro, menor será o IR:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

LCI e LCA

Shutterstock

As letras de crédito imobiliário (LCI) e as letras de crédito do agronegócio (LCA) são opções atraentes pela isenção do IR e a segurança do FGC. Porém, está difícil encontrá-las no mercado. Uma desvantagem é que é preciso deixar o dinheiro por pelo menos seis meses. Securato diz que o investidor deve aceitar papéis que paguem, no mínimo, 85% CDI para um ano. Martins sugere 90% do CDI.

Para Cardoso, não vale a pena investir em LCIs neste momento. “Elas estão pagando IPGM mais juros fixos. É preferível receber o IPCA”, diz.

Poupança

Shutterstock

Apesar de ser isenta de IR e taxa de administração, a poupança não é um bom investimento quando os juros estão altos, porque sua remuneração é fixa em 0,5% ao mês mais TR. Tem a segurança do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que paga até R$ 250 mil para o investidor se o banco quebrar.

Tira tudo de lá e procure investimentos de boa qualidade.

Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest

Para Cardoso, a poupança não é válida nem para administrar o dinheiro do dia a dia, pois se o dinheiro for retirado antes de 30 dias não terá qualquer rentabilidade.

Ações

Tony Gentile/Reuters

Os analistas acreditam que a Bolsa deve continuar a subir, mas a intensidade da alta vai depender do sucesso das medidas econômicas do novo governo. Para os iniciantes, a recomendação é procurar um gestor especializado e colocar apenas de 1% a 2% do capital para começar a entender o mercado.

Securato afirma que é possível investir em ações que tenham bons fundamentos. “Há empresas que são muito boas, mas estão subavaliadas pelo mau momento da economia”, diz. Ele indica ações de bancos e empresas de educação e celulose. Por outro lado, não recomenda construção civil e empresas de bens de consumo e varejo, que ainda devem demorar para se recuperar.

Cardoso diz que é melhor aguardar até o fim do ano para começar a investir em ações, pois a renda fixa remunera bem, com risco menor. Para quem quer manter algum dinheiro em ações, ele sugere investir em Certificações de Operações Estruturadas (COE), mas apenas investidores com mais conhecimento e experiência, pois não tem garantia do FGC e também exige carência para retirada do dinheiro.

Martins diz que vale a pena investir na Bolsa desde que seja em ações com mais liquidez (facilidade de compra e venda). Ele sugere papéis como Itaú Unibanco, Bradesco, Vale, Cielo e, até mesmo, Petrobras. “Mas sempre com diversificação”, diz.

Dólar

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Para os especialistas, o dólar deve cair e ficar entre R$ 3 e R$ 3,50. Não é recomendado como investimento. O conselho é comprar apenas se for ter gastos na moeda, como viagens ou curso no exterior. Nesse caso, é melhor comprar aos poucos, para diluir o risco das variações.

Para quem quer ter algum investimento atrelado ao dólar, há a opção de fundos cambiais e fundos nacionais que aplicam na moeda estrangeira.

Fundos Imobiliários

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São condomínios de investidores em imóveis. O patrimônio pode ser composto por imóveis comerciais, residenciais, rurais ou urbanos, construídos ou em construção, que serão vendidos, alugados ou arrendados.

Para Securato, é uma boa oportunidade para entrar no mercado, pois as cotas estão desvalorizadas. Já Cardoso afirma que, apesar de alguns fundos terem carteiras muito boas, não se pode esquecer que o setor imobiliário está passando por uma situação difícil.

Hoje o aluguel paga menos do que a taxa de juros. E do que vive o fundo? De receber aluguel. E muitos imóveis, especialmente os comerciais, estão vazios.

Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest

Imóveis

Getty Images

Em 2016, imóvel deve ser oportunidade para quem tem dinheiro em caixa para pagar à vista ou oferecer uma boa entrada. “Os imóveis estão em baixa, mas devem se valorizar quando a economia melhorar. É um bom momento para entrar no mercado”, diz Securato. Cardoso concorda. “É um bom momento para comprar. Se negociar, vai conseguir bons descontos”, diz.

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