Turista ensanguentado é o retrato da Bahia”, diz deputado

 

Às vésperas da maior festa de rua planeta – Carnaval de Salvador – e de receber seis jogos da Copa do Mundo de Futebol FIFA, a capital baiana ainda decepciona, e assusta, no quesito segurança. A avaliação foi feita pelo deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), que na manhã desta segunda-feira (27) comentou a foto em que um turista alemão aparece ‘lavado de sangue’ no Terreiro de Jesus, Pelourinho, um dos cartões postais da Bahia.

Para o parlamentar, a imagem do ‘turista ensanguentado’ retrata o que os baianos vêm sofrendo no dia a dia e joga no colo do governo do Estado toda a responsabilidade pelo o que ele chama de ‘guerra’. Lúcio disse que não se preocupa com a segurança no evento esportivo, e sim com a violência diária sofridas pelos moradores de Salvador e dos demais 416 municípios da Bahia.

“Durante a Copa do Mundo a segurança vai ser reforçada para garantir a segurança dos que vêm de fora. Mas, nós que moramos aqui todos os dias não merecemos essa atenção durante todo o ano?”, questiona o parlamentar que se mostra assustado e relembra a pesquisa da ONG Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, do México, que aponta a capital baiana como a 13ª cidade mais violenta do mundo no último ano.

O pemedebista também questiona os valores investidos na competição e os ‘legados’ que a mesma deixará para os baianos. “Se os investimentos fossem feitos em transporte público, saúde e até mesmo na própria segurança teríamos resultados positivos. O Pelourinho é um espaço cultural aberto. Nossos jovens poderiam utilizar aquele espaço como um grande livro cultural, mas, por falta de incentivo, virou uma praça de guerra”.

“O único legado que ficará para a população são os roubos, balas perdidas, homicídios e explosões. A foto que vi desse alemão serve para refletir sobre o caminho que estamos trilhando. A imagem ganhou destaque da mídia porque se trata de um turista, mas isso vem acontecendo todos os dias e nada é feito”, criticou.

Segundo informações de testemunhas, a violência sofrida pelo homem, que não foi identificado, ocorreu depois de um arrastão no Centro Histórico, após o evento Femadum (Festival de Música e Artes do Olodum). Ele teve os pertences levados e ainda foi espancado quando tentou escapar da ação do grupo de bandidos.

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, o roubo seguido de agressão, não foi comunicado à Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur), mas agentes da unidade seguem procurando o alemão para que o caso seja registrado.

Ainda segundo a polícia, 13 ocorrências foram computadas durante os dois dias de festival, sendo 11 furtos, uma briga e uma agressão, números que – segundo a unidade – são avaliados como positivos diante das 12 mil pessoas que compareceram ao evento. A delegacia também não recebeu comunicado de arrastão na festa. Câmeras de segurança instaladas no Centro Histórico podem ajudar na identificação dos agressores que fugiram.