Voluntária cria centro após crescer levando bichos para dentro de casa

Centro reabilita animais em situação de abandono.

Com apenas cinco anos de idade, jovem já possuía sete gatos.

Cada local da casa tem um espaço para os bichos (Foto: Flávio Antunes/G1)Cada local da casa tem um espaço para os bichos (Foto: Flávio Antunes/G1)

Não tenho tempo, agora não dá, quando der eu faço. Essas são algumas frases que o mundo está habituado a escutar por conta da falta de tempo para si próprio. E se elas são ditas nessas ocasiões, imagine para o voluntariado. Todos devem ter seus motivos, mas por outro lado, o motivo para alguns é justamente ter tempo para esses que não têm.

A Jovem Kitty Lima é uma dessas pessoas que passam o tempo em busca de fazer um trabalho voluntario para aqueles que ainda não podem, em Aracaju. Aos três anos de idade Kitty já dava sinais do espírito voluntário ao se preocupar com animais. A jovem dedica seu tempo para reabilitar animais e hoje possui em sua casa um espaço voltado para cuidar de bichos que estão em estado crítico de abandono.

A voluntária conta que sua mãe ao colocar sua comida no prato, com alguns pedaços de carne, se preocupava com os animais que estavam sendo mortos para servirem de alimento.

“Toda vez que minha mãe colocava comida no meu prato eu perguntava por que a carninha tinha que vir dos bichos, principalmente do boi e do frango. Não achava justo ele morrerem para nos alimentarem. Depois disso, foi um passo para querer fazer algo pelos animais”.

Kitty conta que o sentimento em cuidar dos bichos, era tanto, que toda vez que ia brincar na rua trazia um gato ou cachorro. “Eu não podia sair na rua para brincar que ficava atenta, procurando algum gatinho ou cachorro que estivesse com cara de doente para levar para casa. Dava banho, alimentava, colocava para dormir, entre outras coisas”.

Com apenas cinco anos de idade, Kitty já possuía sete gatos que havia trazido da rua para dentro de casa, mesmo sendo questionada pela mãe.

“Cheguei a ter sete gatos, pois ficava encantada com a alegria de vê-los saciando a sede e matando a fome. Mas como todo trabalho voluntário tem seus obstáculos, comigo não foi diferente. Minha mãe preocupada com possíveis doenças resolveu dar os bichinhos. Então aos sete anos de idade tive que parar de trazer os gatos e cachorros para casa”.

O tempo passou, e mesmo com a proibição da mãe, Kitty insistia em trazer os bichos para dentro de casa, porém escondido. “O tempo passou, mas meu amor em dedicar meu tempo aos animais não. Até os meus 18 anos eu levava os animais escondido pra casa e cuidava até minha mãe perceber e brigar comigo”.

Sem poder lutar contra os familiares, Kitty, resolveu fazer um projeto ao invés de colocar animais dentro de casa, sem nenhum tipo de controle e muito menos sem a aprovação dos pais. A jovem criou uma pagina na internet para de alguma forma manter sua contribuição voluntária com os animais.

“Hoje, aos 26 aos de idade, o Centro Anjos de um Resgate é a marca do centro reabilitação fundado por mim. Deixei de abraçar a causa dos animais sem que houvesse um planejamento. Hoje, aos 26 anos de idade, depois de muita luta contra meus pais, resolvi agir com mais profissionalismo. Expliquei o projeto e hoje tem o respaldo deles através do Centro”.

Atualmente, o Anjos de um Resgate conta com três profissionais que auxiliam no recebimento do animal, tratamento, doações e adoções que podem ser feitas através do número: 9886-4896. “Ao todo, 80 animais entre cães e gatos, são assistidos na instituição. “A luta é diária, mas gratificante ao ver a felicidade deles ao receber carinho, principalmente quando são adotados”.

 

 

 

Flávio AntunesDo G1 SE